"O
mal não precisa de intenção monstruosa. Ele prospera, sobretudo, na ausência de
pensamento.’ Hannah
Arendt
Em
fevereiro de 2022, acordamos com a guerra na tela do celular. Não como
metáfora. Como fato. Vídeos de tanques cruzando a fronteira ucraniana chegavam
antes mesmo do café da manhã, ao lado de memes e reels de dança. O algoritmo
não distingue e isso, precisamente, é o problema.
Hannah Arendt cunhou a expressão banalidade do mal ao cobrir o julgamento de Adolf Eichmann em Jerusalém, em 1961. Sua tese era perturbadora: o mal radical não exige um monstro. Exige apenas alguém que tenha parado de pensar. Eichmann não odiava os judeus. Ele simplesmente cumpria ordens, processava papéis e não exercia julgamento moral algum.
