Escrever sobre Ouro Preto é, de certa forma, tentar descrever um fantasma que insiste em não ir embora. Diferente de outras cidades históricas que parecem museus sob uma redoma de vidro, a antiga Vila Rica ainda pulsa com uma energia estranha, quase pesada, entre o cheiro de café passado e o suor de quem encara aquelas ladeiras absurdas.
Eu acredito que o segredo do lugar não está no brilho do ouro que sobrou nas igrejas de Aleijadinho, mas no que a cidade esconde. Vila Rica foi o centro de um Brasil que estava sendo inventado na marra, à base de picareta e um desejo de liberdade que, convenhamos, era meio desorganizado. Caminhar por ali hoje é entender que o país nasceu de uma mistura de ambição desenfreada e uma religiosidade que tentava, sem muito sucesso, compensar os pecados do lucro.

