Não porque a Justiça fosse lenta, mas porque, a cada avanço no processo, havia uma nova batalha. Uma liminar. Um recurso. Uma denúncia. O processo terminou. Ele ganhou e o filho continuou distante, porque o que estava em jogo nunca tinha sido apenas a guarda.
Onde o Direito encontra o inconsciente. Análise de conflitos humanos a partir da lei, da Psicanálise e da Filosofia — por MADEIRA,E.F.
10/03/2026
Ganhar o processo não resolve o conflito
Não porque a Justiça fosse lenta, mas porque, a cada avanço no processo, havia uma nova batalha. Uma liminar. Um recurso. Uma denúncia. O processo terminou. Ele ganhou e o filho continuou distante, porque o que estava em jogo nunca tinha sido apenas a guarda.
04/02/2026
Psicanálise e Direito de Família: A Função Simbólica da Lei nos Conflitos Familiares Contemporâneos
06/10/2025
O pânico do silêncio: por que um mosteiro de 1084 explica sua ansiedade melhor que o TikTok.
O claustro como encontro com o Real: o que Lacan e São Bruno têm em comum.
O encontro entre um monge do
século XI e um psicanalista francês do século XX parece piada de intelectual,
mas a verdade é que eles estavam olhando para o mesmo abismo.
No romance O Deserto (1924), tem uma cena que me incomoda. Luciano, um cara cansado de tudo, resolve passar uma semana num mosteiro cartuxo. Na primeira noite, o silêncio é tão violento que ele entra em pânico. Ele grita, chora, pede socorro. E ninguém vem. Os monges não são rudes, eles só não estão ali para ouvir o “eu” de ninguém em particular. Eles rezam pelo mundo, pela totalidade, pelo que sobra quando as individualidades somem.
Aí entra o Jacques Lacan. Para ele, o pânico de Luciano não era medo do escuro, era o encontro com o que ele chamava de o Real. Sabe aquela parte da vida que a gente não consegue explicar com palavras, que não cabe em nenhuma historinha que a gente conta sobre nós mesmos e que insiste em voltar sempre que o barulho do mundo baixa? Pois é. O Real é o que sobra quando o Wi-Fi cai e as redes sociais param de validar quem a gente acha que é. A técnica do vazio.
22/09/2025
Concausa, agravamento e fatores psicossociais na psiquiatria forense: o que todo operador do direito precisa compreender antes da perícia
Resumo
O presente estudo analisa os conceitos de concausa, agravamento e fatores psicossociais no âmbito da psiquiatria forense, com enfoque na sua relevância para a atuação jurídica em perícias envolvendo adoecimento psíquico relacionado ao trabalho. Parte-se da premissa da multicausalidade dos transtornos mentais, afastando a ideia de causalidade única entre atividade laboral e doença. Examina-se a classificação de Schilling, distinguindo as hipóteses em que o trabalho atua como causa, concausa ou fator de agravamento, bem como suas implicações jurídicas, especialmente no que se refere à responsabilização civil e à quantificação da indenização. Discute-se o papel do perito médico e do magistrado na delimitação da contribuição causal, além da importância da análise dos fatores psicossociais extralaborais, capazes de excluir ou reduzir o nexo causal. Conclui-se que a compreensão técnica desses elementos é essencial para uma adequada interpretação da prova pericial e para decisões judiciais mais coerentes.
Palavras-chave: Concausa. Psiquiatria forense. Nexo causal. Direito do trabalho. Fatores psicossociais. Perícia médica.
01/07/2025
Por que as brigas de família não terminam na sentença? A Psicanálise explica o Direito.
O Direito de Família é, sem dúvida, o campo jurídico onde a técnica e a emoção mais se colidem. Quem atua na área sabe: muitas vezes, uma ação de alimentos ou uma disputa de guarda não é apenas sobre valores ou dias de visita, mas sobre ressentimentos, lutos não elaborados e o que a Psicanálise chama de "repetição".
O Sujeito Racional vs. O Sujeito do Inconsciente
No Direito, aprendemos que o sujeito é um ser racional, capaz de tomar decisões lógicas. Mas, na prática do gabinete ou da audiência, lidamos com o "sujeito do inconsciente". Como ensinou Sigmund Freud e, posteriormente, Jacques Lacan, nossas ações são frequentemente movidas por desejos e traumas que nem sempre conseguimos verbalizar. No Judiciário, isso se traduz em:




